Do tatame aos negócios: 5 lições que uma campeã mundial de Jiu-Jítsu leva para o empreendedorismo

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Crédito: Arquivos/ Almeida JJ Woman and Kids

No esporte de alto rendimento, resultado não costuma ser consequência de um único momento de esforço. Ele é construído a partir de repetição, disciplina, estratégia e capacidade de continuar mesmo quando os resultados não aparecem como esperado. Para a atleta e empresária Carina Santi, vice-campeã mundial de Jiu-Jítsu e à frente da Almeida JJ Woman and Kids, academia voltada ao público feminino em São Paulo, muitos dos aprendizados conquistados no tatame se tornaram ferramentas importantes para sua trajetória no empreendedorismo.

Ao longo da carreira esportiva, Carina precisou aprender a lidar com derrotas, controlar a ansiedade, reconhecer o momento certo de agir e confiar em uma equipe. No mundo dos negócios, esses mesmos princípios continuam presentes em sua rotina.

“Resultado não vem da intensidade de um dia só, vem da consistência de muitos dias comuns. O tatame me tirou a ilusão do esforço heroico e me ensinou o valor do processo repetido”afirma.

Segundo a empreendedora, cinco lições do Jiu-Jítsu são especialmente importantes para quem está construindo e administrando um negócio.

1. Disciplina não depende de motivação

No Jiu-Jítsu, Carina aprendeu que esperar pela motivação para treinar pode significar abrir mão da evolução. A constância, portanto, precisa existir mesmo nos dias em que a disposição não aparece.

No empreendedorismo, a lógica é semelhante. Há momentos em que resolver problemas, tomar decisões ou produzir conteúdo não está entre as atividades mais desejadas do dia, mas ainda assim precisam ser realizadas.

“Teve dia em que eu não tinha vontade nenhuma de resolver problema de academia ou gravar conteúdo, mas fiz porque tinha combinado comigo mesma. Motivação vem e vai. Disciplina é o que sustenta o negócio nos dias ruins”, explica.

Essa visão também influencia sua rotina. A empresária organiza horários para treinar, atender alunas, cuidar da filha e conduzir os projetos da empresa, mantendo os compromissos mesmo quando a rotina fica mais difícil.

2. Estratégia vence força bruta

No tatame, força física nem sempre é suficiente para superar um adversário. É preciso entender o jogo, observar os movimentos e escolher o momento adequado para agir.

Para Carina, esse princípio também é fundamental nos negócios. Empreender não significa necessariamente trabalhar mais horas ou tentar resolver tudo pela insistência, mas saber onde concentrar energia e recursos.

“No Jiu-Jítsu, quem só depende de força trava rápido contra alguém mais experiente. Empreender é igual: o mercado muda, o cliente muda, e quem não se adapta fica preso em uma estratégia que já não funciona”, afirma.

A capacidade de analisar cenários e fazer ajustes, portanto, pode ser mais importante do que simplesmente aumentar o esforço.

3. Derrota é informação, não identidade

Perder faz parte da trajetória de qualquer atleta. Para Carina, aprender a interpretar uma derrota foi essencial para continuar avançando na carreira e também se tornou uma habilidade importante no empreendedorismo.

“Perdi muita luta importante na carreira. Se eu tratasse cada derrota como um veredito sobre quem eu sou, teria parado há muito tempo”, conta.

 

Nos negócios, a empresária também já enfrentou erros, como decisões de contratação que não funcionaram e produtos que não tiveram o desempenho esperado. Em vez de transformar esses episódios em uma avaliação pessoal, ela procura enxergar o que pode ser extraído da experiência.

“Aprendi a separar ‘eu errei uma decisão’ de ‘eu sou um erro’. Dou espaço para sentir a frustração, mas rapidamente pergunto ‘o que isso me ensina?’ em vez de ‘o que isso diz sobre mim?’. Essa pergunta muda tudo”, afirma.

4. Paciência também faz parte da estratégia

No Jiu-Jítsu, tentar executar um movimento antes de encontrar a abertura adequada pode comprometer toda a luta. A atleta aprendeu, assim, que saber esperar também é uma forma de agir.

A mesma lógica foi aplicada à construção de seu negócio. Carina conta que já teve vontade de acelerar o crescimento da academia antes que a estrutura estivesse preparada para acompanhar a expansão.

“Já quis acelerar o crescimento da academia antes de ter estrutura pronta e entendi que negócio bom também respeita o tempo certo de cada movimento”, relata.

Para a empresária, paciência não significa ficar parado, mas observar o cenário, preparar a estrutura e reconhecer quando existe uma oportunidade real de avançar.

5. Um ambiente forte sustenta a performance individual

Embora o Jiu-Jítsu seja um esporte individual durante a luta, a preparação de um atleta de alto nível depende de uma rede de pessoas. Professores, parceiros de treino e equipe fazem parte do processo de desenvolvimento.

Essa percepção também está presente na gestão da Almeida JJ Woman and Kids. Carina afirma que construir uma equipe de confiança e aprender a delegar foram passos importantes para o crescimento da empresa.

“Nenhum atleta chega ao alto nível sozinho. Precisa de equipe, professor e parceiros de treino. Na Almeida JJ Woman and Kids eu levo isso a sério: construí uma equipe em quem confio e aprendi a delegar. Empresária que tenta segurar tudo sozinha quebra antes de crescer”, afirma.

Do tatame para a vida empreendedora

A experiência no esporte também mudou a maneira como Carina encara os momentos de incerteza. Em vez de esperar sentir-se completamente preparada para tomar uma decisão, ela defende a importância de começar e aprender durante o processo.

Para mulheres que desejam empreender, mas ainda têm receio de errar, a atleta recomenda não esperar que o medo desapareça para dar o primeiro passo.

“Comece antes de se sentir 100% pronta. No Jiu-Jítsu, ninguém entra na primeira luta sabendo tudo, aprende lutando. Empreender é a mesma lógica: a segurança vem depois da ação, não antes dela”, afirma.

Na visão da empresária, o medo pode continuar existindo, mas deixa de ser um impeditivo quando a pessoa desenvolve confiança a partir da própria experiência.

“O medo não vai embora sozinho. Ele diminui conforme você começa a andar mesmo com ele do lado”, conclui.

 

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